Publicidade: Os terríveis comerciais da Amil !

A empresa Assistência Médica Internacional Ltda, a AMIL, é uma das empresas que mais me filled the bag com seus comerciais de TV, e isso desde o tempo em que eu não sabia direito o que era isso. Fundada por médicos em 1972, no Rio de Janeiro, a Amil chegaria a São Paulo em 1986. O telefone 231-1000 passaria a ser conhecido pelos adultos tanto quanto 236-0873 (telefone do Bozo, no SBT) pelas crianças.

Sempre me deu a impressão de que a Amil sempre teve muito dinheiro sobrando. Muito. Mais que a IURD, por exemplo. A ponto de fazer os comerciais mais absurdamente fantasiosos da TV em todos os tempos, principalmente a partir do final dos anos 80.
O que é incrível, tratando-se de uma empresa nacional e que não atua junto ao público infantil – empresas como Kellogg’s, Refinações de Milho Brasil e Warner-Lambert perderam de lavada da Amil, elas podiam usar esse tipo de linguagem em suas campanhas, mas nunca quiseram.

Primeiro… por volta de 1989, um jingle que cantava assim: “Se o seu plano de saúde é muito burocrático/ Se o seu plano de saúde é muito enigmático… (não me lembro o resto) Mude pra Amil, 231-1000!” – O pior é que durante o comercial, o protagonista aparecia, nervoso, fechando com raiva uma porta de vidro onde podia se ler GOLDEN CROSS – principal concorrente deles até hoje! Citar o nome do concorrente é uma coisa comum nos EUA, mas que os publicitários brasileiros detestam – alguns dizem que foi por todos os candidatos falarem tão mal do Maluf, durante tantas campanhas, que ele acabou se elegendo prefeito.

Um jatinho decola ao som de ópera, celebrando o crescimento vertiginoso da Amil graças, talvez, à estratégia publicitária anterior – esta e a outra, de gosto duvidoso.

Em 1993, mais ou menos, a gravação de um comercial do Amil Resgate Saúde, onde pela primeira vez helicópteros se somam à ambulâncias, vira notícia, porquê para gravar o comercial é chamado um especialista no assunto (gravação de imagens de aeronaves) que trabalha em Hollywood.

Em 1994, um tipo de comercial que seria feito mais de duas vezes posteriormente: um locutor lê um texto de forte carga emocional, falando sobre o homem e a evolução da medicina, acompanhado por imagens feitas pelas mais avançadas tecnologias de computação gráfica, como um helicóptero saindo de um livro. Coisas que você não vê ATÉ HOJE nas vinhetas da Rede Globo e só veria nas telas do cinemas uns 8 anos mais tarde, digamos assim. Parecia que a Amil virou a maior empresa do mundo (e nem a Microsoft faz comerciais desse jeito!)

Em 1996, a Amil parte pra violação da legislação brasileira, e traz um comercial ao som de Frank Sinatra no qual telefones voam na direção das pessoas (a letra, em inglês, diria alguma coisa como “liga pra mim”). Os telefones voam tão perfeitamente porquê já havia tecnologia na época para apagar os fios das imagens. Em apenas uma cena fica claro que ela foi gravada no Brasil, todas as outras, pelo biotipo das pessoas e pelos modelos dos telefones é claro que foi tudo importado dos EUA, possivelmente da campanha de outra empresa. Existe uma legislação brasileira que estabelece uma porcentagem de produção nacional que um comercial de TV deve ter. Já houveram campanhas que violaram essa legislação (uma da Levi’s, por exemplo) que não tinha slogan nem narração e foi considerada 100% feita nos EUA.

Volta ao ar a estratégia de um locutor lendo um texto de carga emocional, com imagens feitas por tecnologia de ponta… “No princípio era o nada, então surgiu a Amil, blá, blá, blá”. E começa a surgir o segundo slogan da emrpresa: “Parto e doenças pré-existentes estão fora desta promoção.”

Em 1999 ou 2000, não me lembro, Pedro Cardoso e Fernanda Torres estrelam uma campanha no mínimo megalomaníaca: fazendo números da Broadway e contracenando somente com eles próprios. É mole? Pra mim, passou um ar de que “você, cliente, não existe para nós”.

Mas a pior de todas foi “Em qualquer lugar do mundo você pode contar com a Amil” – uma música cantada em vários idiomas, mostrando que a partir dali a empresa estaria dando assistência médica até no Exterior. Eu, que até hoje não tenho plano de saúde e nunca fui além de Macaé, ao norte, e Caxias do Sul, ao sul, achei massa… A CCAA e a Credicard, que já fizeram comerciais de teor parecido, acabaram se saindo muito melhor.

E você ficou com os piores comerciais do Brasil! Ligue 3061-1000!
Sério, gente. As regras da boa publicidade falam exatamente o contrário (eu estudei isso um ano e pouquinho, fora o que eu aprendi na Escola Panamericana de Arte), e quem segue isso a risca é a Golden Cross (que fez uma campanha sensacional em 1997, mostrando pacientes recebendo alta ao som da música “Amanhã”, de Guilherme Arantes). Somente uma única vez em 2002, se viu um comercial sério da Amil, e logo depois, eles voltaram aos comerciais tresloucados. É algo tão horrendo que acho que nem merece YouTube…

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3 Respostas para “Publicidade: Os terríveis comerciais da Amil !

  1. Realmente, assistir um comercial da Amil é imaginar que você está em um outro mundo… (para o bem ou para o mal!)

  2. Pingback: Revista Bacante » Quartett

  3. Houve uma época, por volta de ’97, que eu vi uns anúncios impressos da Amil em revistas automobilísticas, destacando as ambulâncias Ford canadenses que usavam.

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