Afinal, o que rola nos estúdios?…

Não sei se alguém tem esse tipo de curiosidade, mas aí vão alguns infográficos que mostram o que acontece nas emissoras de TV brasileiras que usam vários estúdios paralelamente, em vez de um só.
Nos Estados Unidos, o estúdio da CBS, em Hollywood, onde era gravado o clássico dos game shows “The Price is Right” era o Estúdio 33 ! Espero que seja nome fantasia, como o da discoteca Studio 57, senão, haja energia elétrica para tantos programas… (o Projac mesmo gasta uma energia desgraçada). Este foi rebatizado como Estúdio Bob Barker, em homenagem ao apresentador do programa, que se aposentou em julho de 2007.

Enquanto isso, mais ou menos na mesma época, novelas, festivais de música e até mesmo telejornais da Record eram feitos do mesmo lugar, o Teatro Record! Já imaginou, assistir um telejornal sentado em um auditório? Taí algo que eu gostaria de ver…

As informações sobre a Rede Globo são de uma matéria do Video Show e depoimentos ao site Memória Globo, as do SBT e da RedeTV!, muito menos precisas, foram colhidas através da mera observação da programação da emissora – principalmente no caso da RedeTV!. Clique nas imagens a seguir para ampliar.

REDETV! (Barueri e em breve Osasco)

João Kleber foi o meu principal “guia turístico” na RedeTV!. Graças às suas correrias pela emissora, durante os programas Canal Aberto e Tarde Quente, eu não me perderia mais se me largassem lá dentro… Do lado oposto aos estúdios, do outro lado do corredor, fica a redação do jornalismo e a parte administrativa da rede de tevê que mais Manchete no Brasil.
PS: O estúdio B da RedeTV! mostrou que era um legítimo estúdio de TV brasileiro e pegou fogo em 2002, durante as gravações do Interligado Games
Em setembro de 2009 esses estúdios foram pras cucuias e a emissora foi para Osasco. Infelizmente informações sobre os estúdios novos da RedeTV! são extremamente escassas – ao contrário do SBT eles nunca mostraram o corredor principal da emissora.
[Eles querem que eu faça eles provarem o próprio veneno do Impostor, por acaso?…]
O que se sabe é que são 7 estúdios, nomeados de A a G, sendo o maior o último deles, no qual a emissora pretende gravar teledramaturgia nacional na forma de seriados. Os estúdios foram inaugurados ainda em obras, alguns deles só seriam usados a partir de 2010, como os do Superpop e do Pânico na TV – provavelmente o estúdio A, não sabemos se os dois no mesmo.
Outra phamosa emissora fica nesse município da Grande São Paulo, e é o… ôoô…

SBT (Projeto Anhanguera, Carandiru e  Vila Guilherme)

O Projeto Anhanguera fica no km. 18 dessa rodovia, no município de Osasco. Talvez por isso a maioria das pegadinhas do Topa Tudo por Dinheiro eram gravadas nessa cidade…

As portas dos estúdios, com números inclinados, apareciam tanto quanto, digamos, Sílvio Santos, na programação da emissora. Bons tempos aqueles, felizmente bem documentados por mim.

Atualmente, a única atração que usa um pouco mais a infra-estrutura do SBT como se este estivesse em seus dias de glória é o Teleton. Segundo consta, 4 dos 8 estúdios não são utilizados por falta de funcionários, que foram sendo demitidos para cortes de custos, etc. e tal. O pior é que a receita macabra deu certo, já que o SBT tem uma audiência considerável sendo a emissora que menos exibe conteúdo nacional. Se eles puderem alugar algum deles pra Salt Cover, eu agradeço… (rererré)

Como são os estúdios da RedeTV! e do SBT[EDIT: Os estúdios 7 e 8 tradicionalmente eram das novelas do SBT, quando surgiu o Complexo Anhanguera. Aí, papo vai, papo vem, e o estúdio 7 chegou a ser usado pelo Topa Tudo por Dinheiro, e o 8 POSSIVELMENTE por programas sem auditório como “Meu Cunhado”. E em junho de 2008, o estúdio 6 do SBT foi esvaziado e agora são feitas novelas nele, além dos estúdios 7 e 8 – que realmente são maiores do que os demais. Obrigado, Flávio Ricco! Ratinho, heavy user do estúdio 6, voltaria ao ar, posteriormente, em outro estúdio, que não sabemos qual seria.]

A antiga sede do SBT, na Vila Guilherme, herdada da TV Excelsior, tinha 6 estúdios. Sinceridade: parecia até que tinha menos! Mas não era ruim, imagine 6 estúdios funcionando ao mesmo tempo nos anos 60… Nesse local, com o TJ Brasil, iniciava-se o conceito do jornal transmitido direto de sua própria redação. O Teatro Sílvio Santos, usado até 1995, não ficava na Vila Guilherme, mas no Carandiru (Rua Azir Antônio Salton, perto da Av. General Ataliba Leonel), e lá eram gravados aqueles programas que o meu pai “”””amava”””” de paixão, como o Viva a Noite… Provavelmente era essa rua Azir Antônio Salton que era bloqueada para realização de alguns quadros na externa, como o Sonho Maluco.

E uma curiosidade que eles nunca disseram é que o Teatro Silvio Santos ficava a duas quadras da antiga Penitenciária do Carandiru! (hoje, o Parque da Juventude). Se duvida, veja o mapa do Google Maps… Com uma pequena caminhada, também dava pra chegar de metrô pela estação homônima. Será que algum presidiário já foi lá tentar girar o pião da Casa Própria à balas?… E como será que ficou o clima por lá em 1992, então, com o massacre do Carandiru?… “Buito triste”, diria o futuro apresentador do Domingo Legal.

O motivo que fez o SBT sair dos locais onde estava eram as inundações na Vila Guilherme, que atingiam em cheio os estúdios, relativamente próximos à Marginal Tietê. O que forçava o SBT a criar inovações, como o único carro de reportagem náutico que se tem notícia: um bote, com logo do SBT e tudo. Em 1992 a emissora parou e noticiou o que estava acontecendo. Uma situação semelhante acometeu a TV Cultura – não sei se no mesmo dia, inclusive. Serginho Groisman fez um programa inteiro do “Matéria Prima” com uma vara de pescar no estúdio inundado.

GLOBO (Rio e São Paulo)

E agora, o Projac, construído em uma área onde a Globo já gravava algumas externas de suas novelas desde os anos 70, além de programas esquecidos como o game show Juba & Lula. Clique na imagem para ampliar, pellamordeDeus…

Durante a matéria do Vídeo Show, foi revelado que, estranhamente, o Vídeo Show era gravado no estúdio… C! Cercado por três estúdios de novelas! Por quê será? Eu desconfio que foi simplesmente por “razões históricas”. O Projac começou com apenas 3 estúdios (A, B e C). Segundo consta, houve uma transferência gradual dos estúdios alugados para o Projac. A primeira novela gravada lá foi uma das seis, História de Amor, que estreou em julho de 95, a primeira das 8 gravada lá foi Explode Coração, a partir de novembro de 1995, e só no ano seguinte as novelas das sete chegariam ao Projac, com Vira Lata.   O Estúdio C provavelmente foi o primeiro usado pela linha de shows (Ponto a Ponto, de 1996, já era gravado no Projac) e continuou assim até hoje, belo e pholgado, já que todo o resto dos humorísticos fica espremido no estúdio E. O mais curioso é que nenhum deles passa aperto em matéria de cenografia, principalmente o Casseta & Planeta.
[EDIT: O Vídeo Show, que em 2009 passou a  ser ao vivo, agora é no estúdio E.]

MÃNS, pode ser que foi e não seja mais.  Atualmente, há um tópico na Wikipédia que escreve o que sempre quisemos saber: o que é gravado em cada estúdio, com total precisão (acho que o tópico é atualizado por colegas do Bozó.) E segundo este tópico, o Video Show é gravado no famoso (por razões diversas) estúdio F.
Caramba, esse é o tipo da informação que deveria estar na Globo.com e não está! Ih, ó os caras, aí!

Não é raro a parte de fora dos estúdios da Globo virar cenário de programas. A entrada do estúdio D fez papel de “aeroporto” na novela América. E no Casseta & Planeta, várias cenas eram feitas na recepção, tanto do Projac, quanto antigamente, nos estúdios da RA Produções. Aliás, desconfio há muito tempo de uma rua, que só tem um muro de tijolos de concreto, que vive aparecendo no Casseta e nas novelas… Outro lugar que vira e mexe vira “fábrica” ou “laboratório secreto” é um lugar que concentra a parte hidráulica dos estúdios, cheio de canos, e que teve seu momento de glória ao fazer o papel de Propinoduto.

O Estúdio F para muitos é um lugar de triste memória, em 2001 ele pegou fogo durante as gravações do programa Xuxa Park. A apresentadora preferiu voltar a usar o Teatro Fênix. Só que, pelo que consta, em 2002 o local foi demolido e provavelmente, Xuxa já esteja de volta ao estúdio F há muito tempo com seus programas. Muito se fala em implicações místicas nesse incêndio, mas a causa dele provavelmente foram mesmo falhas na segurança (não existiam detectores de fumaça no estúdio) e cenário feito de materiais inflamáveis (uma matéria do Observatório da Imprensa diz que materiais semelhantes que não pegassem fogo custariam 10 vezes mais…)
Há alguns programas famosos que não são feitos em estúdio nenhum, como é o caso do BBB e do Mais Você, gravado nas chamadas “serras”, onde foi gravado o Sítio do Pica-Pau Amarelo dos anos 2000.

A empresa Tycoon, onde alguns importantes programas da Rede Globo já foram gravados, tem um site oficial.

O Teatro Fênix era possivelmente, um dos locais paralelos mais usados pela Rede Globo. DESCONFIO que fique na Av. Lineu de Paula Machado, a mais ou menos 1 km da sede do Jardim Botânico (que falaremos já já). Uma rua paralela à essa avenida é a famosa Rua Saturnino de Brito, muitos “baixinhos” cansaram de mandar cartas pra lá…
Nele eram gravados programas de auditório, como o Cassino do Chacrinha, Xou da Xuxa e o Domingão do Faustão, além de… programas SEM auditório, como Viva o Gordo e Os Trapalhões. Estes dois, inclusive, se utilizavam de um artifício: os cenários eram minimalistas e “imaginativos”, todas as ações se passavam em um fundo infinito branco, com poucos móveis e objetos  – há um quadro do Renato Aragão no qual o único objeto de cena é uma casca de banana. E o pior é que funcionava… Isso só mudaria a partir de 1986, quando provavelmente soltaram um pouco mais de verba para os Trapalhões.
Os quadros com auditório, mais frequentes a partir de 1988, eram gravados no mesmíssimo lugar. Os Trapalhões gostavam mais desses, eu pessoalmente, nunca curti muito, era “solto” demais pro meu gosto, parecia o Show do Tom. Mas vamos ao texto, Falabella! O Chico Anysio nunca passou por isso, os cenários eram de primeira, iguais aos das novelas, porquê era tudo gravado em outros lugares, como as produtoras Cinédia, Tycoon e Maragoa, esta última de propriedade dele. Só que esses quadros aí, eles não reprisam como fizeram com os Trapalhões, inphelizmente… Ainda compro o DVD da Globo Marcas.
O fundo infinito branco teve seu momento de estrelato absoluto na abertura do programa Praça da Alegria, de 1977, que pode ser vista seguramente no site Memória Globo.

O Projac sucedeu os estúdios da antiga sede da Rede Globo, no Jardim Botânico, que hoje em dia são ocupados pelo jornalismo da Rede Globo.
É lá mesmo: o local, um quarteirão inteiro na Rua Von Martius, fica a uns 500 metros do famoso corredor de palmeiras imperiais do Jardim Botânico, que já apareceu em trocentas novelas, videoclipes e especiais.
Segundo depoimento de Daniel Filho ao projeto Memória Globo, eram 4 estúdios de A a D, mas nomeados curiosamente fora de ordem: A-C-D-B, sendo o D o maior de todos, o que me leva a crer que é nesse estúdio onde hoje se localiza o Jornal Nacional.  Em 1996, a redação foi pra lá, e em 2001, o próprio telejornal foi pra lá.
Ao contrário do SBT, que tem um corredor interligando os estúdios, na Globo eles se encontravam em uma espécie de pátio, onde todos se cruzavam, atores, jornalistas, apresentadores, etc. e tal. Devia ser bacana… Falando nele, um raro programa que foi gravado na própria sede da Globo foi o Armação Ilimitada.

Uma curiositê, por falar em Jornal Nacional. O programa Esporte Espetacular, quando ainda tinha Fernando Vannucci, era gravado no mesmíssimo estúdio do Jornal Nacional. E eles nem tiravam o JN do fundo, só colocavam um tapume verde! Provavelmente, era de lá também que entrava Maria Paula, nas pesquisas via telefone do Casseta & Planeta feitas por volta de 2001, que eram apresentadas ao vivo, sendo que na época o Projac não estava preparado para isso (e o GC era o mesmo do Jornal Nacional…)
Outra: Muitos programas de humor mostram os apresentadores de telejornal como uns sujeitos “malucos”, que vestem terno e gravata e nas pernas, bermudão e tênis… Foi exatamente assim que uma equipe do Estadão phlagrou Cid Moreira e Sérgio Chapelin na bancada do JN, em 1992. É o calooorr… Mas me parece que, com a evolução da tecnologia das câmeras, que se tornaram mais sensíveis e que não precisam mais de tanta iluminação, parece que William Bonner, Fátima Bernardes e a galera atual não precisam mais fazer isso. (É ou não é? Se alguém puder me dizer, eu agradecço. MÃNS eu me lembro que, em 1984 ou 1985, o Jornal Hoje tinha uma mesa com um vidro fumê na frente, e aí as apresentadoras (Leda Nagle e Leila Cordeiro) tinham que se vestir como manda o figurino, pois as pernas apareciam. E essa mesa durou pouco, a propósito…)

No Jardim Botânico, um outro lugar que Daniel Filho e outros chamam de “terraço” também era usado em externas de novelas, esse local era possível de ser visto pelos vizinhos da emissora, muitos assistiam de camarote gravações de novelas feitas lá. Em breve esse lugar vai ser lar do “estúdio de vidro” do RJTV.
Outras gravações externas (daquelas sem muito compromisso, como as dos Trapalhões) eram feitas em ruas próximas ou na “rua de trás”, a Visconde de Carandaí. Um incêndio na Rede Globo, na década de 60, faz o JN ser transmitido a partir de outro lugar, que é o nosso próximo tópico…

REDE GLOBO, SÃO PAULO! ASSISTA AGORA… (digo…)

Em São Paulo, que me conste, na Praça Marechal Deodoro, a Rede Globo tinha meros 2 estúdios, nos quais foram feitos arguns programas de relativa importância, como Balão Mágico, TV Mulher e Globo Rural… (A turma do Balão já esteve presente ao TV Mulher uma vez, eu me lembro!) Eu imagino que foi o Balão e o TV Mulher – programas que já ocuparam umas 6 horas de programação – que possibilitaram a gravação de Armação Ilimitada nos estúdios do Jardim Botânico.
O SPTV só usava uma única câmera (Bóris: “Isto é uma vergonha!”). Mas pelo menos eu descobriria depois que o RJTV também era assim. Na verdade, o avô de ambos, também: o JS – Jornal das Sete. (Eu me lembrava vagamente de ter visto um “J-Outra Coisa” na Globo antigamente, e só o Memória Globo me tirou essa dúvida.)
[EDIT: No começo dos anos 70, esta emissora também produziu a série infantil Linguinha vs. Mister Yes, com Chico Anysio.]

Em São Paulo eles faziam como na Band, dividindo o estúdio por sets de gravação. Quando um integrante do Balão Mágico fez aniversário, em 1984, a equipe preparou uma surpresa, e foram mostradas pessoas entrando no cenário pelo ângulo oposto, mostrando o que ficaria na frente da turma do “Balão”, o cenário do programa Show dos Shows, que só eu e o Memória Globo nos lembramos que existe. Esse programa era apresentado por Marília Gabriela, tirando cada vez mais peso das costas da Globo-RJ.)
Pra manter a tradição, um dos estúdios da Marchal Deodoro pegou fuego em 1992, não me lembro como o São Paulo Já (extinto telejornal que entrou no lugar do Hoje) se virou na época.
A partir de 1993, o Jornal da Globo, com Lilian Witte Fibe, passa a ser feito em São Paulo, em um antigo teatro na região da Marechal Deodoro (seria o tal do “Teatro Globo”, onde gravavam a fase do TV Mulher com auditório?…).
Em 1997, um raro desvio de função: Tiririca entra ao vivo no Domingão do Faustão a partir do cenário minimalista do Globo Comunidade. Na verdade, sem as cadeiras, foi difícil de reconhecer… Pelo menos o pessoal improvisou legal uma iluminação de show no cenário do programa jornalístico.
Em 1999 a emissora muda-se para o bairro do Brooklin, para um prédio especialmente construído para ela. Atualmente são 3 estúdios de última geração, mais a redação, onde é feito o Jornal Hoje e o Jornal da Globo, e o estúdio de vidro do SPTV, no Edifício Evandro Carlos de Andrade, que se comunica com o switcher através de fibra óptica. O estúdio 3 tem auditório e é usado pelo Faustão (quando é gravado na gloriosa, superrr terra natal, meu) e pelo Jô Soares, além de debates políticos de São Paulo, que são transmitidos para a Globo Internacional, para chiadeira generalizada dos brasileiros ao redor do mundo.
Há MUITOS anos a Rede Globo pensa em fazer um núcleo de novelas at the Garoa’s land, o que facilitaria para muitos atores, que não precisariam morar na ponte aérea, mas até agora, o que existe são novelas cuja história se passa em São Paulo, e só. Me lembro que a novela das sete “O Mapa da Mina” (1994) teve uma chamada feita pela Globo SP só pra dizer isso! Mas recentemente o especial Aline foi feito pelo pessoal do Channel Five (em São Paulo a Globo é o canal 5). Inclusive, o prédio onde mora a personagem eu passo por ele quando vou pro trabalho…

Os estúdios da Marechal Deodoro foram comprados pelo Ratinho para fazer um programa musical em 2000, que não deu lá muito certo, depois pelos pastores Fausto Rocha (ex-apresentador do SBT e, quem diria, dublador de Billy Graham no programa “Minha Esperança Brasil”) e o saudoso Ielon Nascimento, com o projeto da TV Palavra (conheço esse projeto mais de perto porquê eu procurava emprego por lá), esta por sua vez foi comprada por Netinho di Paula, virando a nova sede da TV da Gente, e enfim, sei lá o que está rolando na Marechal atualmente.
A versão “ôrra meu” da Globo, que era um “patinho feio”, hoje é um cisne: além de ser a filial que dá mais lucro (se bem que com esse último BBB equilibraram-se um pouco as coisas) , é a co-geradora da emissora. Programas que você nem imagina já são gerados de São Paulo (e não do Rio) para todo o Brasil, como sessões de filmes. É possível identificar isso porquê o símbolo em alto-relevo usado pela Globo São Paulo é diferente do usado no Rio , como explicamos em um post do nosso blog principal, que falta eu achar. Com isso (QUATRO masters, dois em SP, dois no Rio), é muito provável que o cargo de operador de controle mestre já não seja tão estressante quanto antes, sendo o único stress saber quando que cada um vai assumir a programação.
Senão eles dão uma de RBS TV e já viu (em Porto Alegre, nos anos 80, eu juro pra vocês, a RBS saía do ar DE DIA, durante cerca de 10 segundos, para “troca de transmissor”…)

BAND

Na Band, nem precisa de infográfico: se tiver auditório com cadeiras, batata, é no estúdio 1 (CQC, Raul Gil, debates políticos, Bronco…). E se tiver auditório de arquibancadas ou não tiver, é um set de gravação no estúdio 2 (Atualíssima, Márcia…). O jornalismo usa espaços construídos especialmente para isso, se bem que eu desconfio que no estúdio 2 também esteja o Brasil Urgente, atualmente. Aliás, o que deve ter de edículas nessa Band não está no gibi.
Mas antigamente, dois programas de grande importância não eram gravados no Morumbi: a Buzina do Chacrinha era gravada no Teatro Bandeirantes, nos anos 80 o segundo maior da cidade, com 1000 lugares (hoje um mega-templo da Universal, na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio), e o Perdidos na Noite era gravado no Teatro Záccaro, que depois dos espetáculos de longuíssimas temporadas Com a Corda Toda de Ary Toledo, Trair e Coçar é só começar (com Denise Fraga) e o musical Rent, virou igreja, ensaiou uma volta, virou igreja de novo e hoje está à las muescas. Aliás, o falecido maestro Záccaro afirma que Faustão e sua trupe zoavam legal com seu teatro, chegaram até a pôr um elefante no palco… Alô YouTubers do meu Brasil, como é que é?…

RECORD (Av. Miruna e Barra Funda)

Na TV Record, todos falam “Ah, o teatro Record…” Mas infelizmente eu nasci muito tempo depois, em 1976, e na minha época a emissora ficava na Avenida Miruna, próximo ao Aeroporto de Congonhas. Em 1998 eu estive lá, por acaso, e vi Marcelo Costa saindo da gravação de seu programa sertanejo. Havia um determinado estúdio, não me lembro qual (acho que era o 2) onde as gravações eram paradas a cada aterrisagem de avião, que passava exatamente em cima deles. Já nessa época, a Record estava dividida entre lá, onde nasceu e cresceu com a IURD, e a nova-velha sede, na Rua da Várzea, comprada da TV Jovem Pan. Eu acho que o CONTRU deve ter tido muito trabalho com esse lugar, porquê de um ou dois estúdios da JP, viraram ONZE estúdios, nem todos muito espaçosos, como se nota pelos cenários “aconchegantes” de alguns programas. Ratinho chegou a fazer um programa dominical nos antigos estúdios da Record. Mas o tempo passa, e estes, amigo ouvinte, não existem mais, viraram estúdios das redes Mulher e Família, além da programação própria da Igreja Universal, e essas emissoras, por sua vez, foram extintas.
Em 1992, foi a TV Jovem Pan que fez a geração de imagens do carnaval de São Paulo para a Rede Globo. As câmeras deles (e todo o resto dos equipamentos) eram mais modernas que as da Globo, na época, acreditem se quiser.

Em 2005, a Record compra de Renato Aragão os estúdios da RA Produções. Que tem história: filmes do comediante, o programa Os Trapalhões em sua última temporada (1993), o Casseta & Planeta da mesma época e a TV Pirata foram gravados lá. E dos clássicos três estúdios – que antes do Projac existir eram os melhores da América Latina – agora são 10 estúdios (A-J). O RecNov ganhou um apelido um tanto malvado: Projeca, por ser bem menor que o complexo de estúdios que o “inspirou”, mas por outro lado, existem uns lances bem escabrosos, como de que haveriam câmeras escondidas nas áreas técnicas, vigiando os movimentos e, pasmem, as opiniões pessoais dos funcionários! Peraí, mas o “Big Brother” não era na Globo?!…
[EDIT: Li isto na Folha de São Paulo, acusada pela Record de denegrir a imagem da emissora com notícias como esta e outras. Espero, do fundo do meu coração, que não seja verdade. Alô Anistia Internacional e OIT, que tal dar uma passadinha no RecNov?…]

CULTURA

Em uma visita à TV Cultura, em 2000, o meu irmão constatou que são cinco estúdios, de A a F. Não tenho maiores detalhes, mas uma curiosidade estranha é que o “Cocorícó”, quem diria, era gravado no maior deles, e outro programa com aparentes maiores necessidades, um curso de alemão, no menor. Um programa educativo que marcou uma geração, Catavento, com o futuro talento Luís Mello e o futuro dublador Tatá Guarnieri, era gravado simplesmente nos jardins da Fundação Padre Anchieta e em algumas salas que, pelo que eu me lembre, sequer lembravam estúdios. E pensa que a criançada ligava pra isso?… A TV Cultura também usa o Teatro Franco Zampari, na Av. Tiradentes, que já foi extremamente movimentado (em 1988 teve 5 programas diferentes além do Bambalalão), e hoje sedia o “Viola, minha Viola”. Esse, acho que é um dos poucos teatros usados por emissoras de TV que vai bem, obrigado, tendo uma existência bem tranquila, sem nenhum desastre no currículo. Mas tá feím, feím… precisando de uma reformazinha na fachada.

MANCHETE

Na TV Manchete, as novelas eram gravadas no Complexo de Água Grande, com cinco estúdios, incluindo aquele que foi o maior da América Latina, com 1960m². Atualmente o local é um hipermercado. O resto eram em estúdios localizados no próprio edifício-sede da emissora, na Rua do Russell, por isso os estúdios do jornalismo da Manchete serem um tanto “atarracados” – mais até que os do SBT de agora!…  Esse prédio atualmente é de uma faculdade particular.

NGT

A desconhecida e pouco assistida NGT, pertencente a uma associação católica, tem 6 estúdios – e bem grandinhos, para os programas que eles phazem. Até há algum tempo eles ainda ofereciam serviço de aluguel de estúdios, não vejo mais nada a respeito no site. O pessoal, então, deve estar cheio de idéias… O que não impede que a NGT esteja ausente das principais operadoras de TV a cabo, onde estão emissoras com qualidade técnica inferior, vai entender esse pessoal…

ALLTV

E os únicos estúdios de verdade que eu conheci, estando lá porquê me chamaram para tanto, foram os da AllTV, emissora via Internet criada em 2002 pelos jornalistas Alberto Luchetti e Marcos Barrero. Oficialmente, a emissora, instalada em um sobrado, como tantos que há na região, só que com uma fachada bacanex,  tem dois estúdios, com um curioso desequilíbrio: o estúdio A tem imagem melhor e o estúdio B tem som melhor (bem, isso até 2004, quando assisti eles pela última vez na TV a cabo).
Mas, com a exceção dos banheiros, qualquer ambiente da casa onde a AllTV está instalada pode ser usado para gravar programas – bem, gravar no “padrão Salt Cover de qualidade”, com câmeras handycam, mas seja como for, é muito melhor do que o meu quarto, que não tem Sonex na parede.
Todas as salas e áreas comuns tem a mesma iluminação de lâmpadas fluorescentes que há nos  estúdios (mais ou menos como na casa do BBB). Uma cozinha onde são (ou eram, sei lá) gravados programas de culinária é uma cozinha real, usada pelos funcionários da emissora – bem mais realista que a cozinha da Ofélia… Naquela ocasião eu falei sobre Chaves e Chapolin, para um programa apresentado pelo então desconhecido Rafinha Bastos. A AllTV pode ser considerada uma “highlander”, muitas de suas concorrentes no setor já fecharam as portas. Se você ficou com vontade de assistir: http://www.alltv.com.br. Uma curiosidade: mesmo com equipamentos extremamente modestos, hoje em dia a imagem da emissora já é em 16:9, o padrão usado pela TV digital.

Este é o meu blog de menor audiência na WordPress, portanto é altamente improvável que eu receba correções de funcionários das redes envolvidas, mas se este for o seu caso, comente este post !! Afinal, no que depender da segurança das emissoras, nenhum de nós vai conhecer esses lugares mesmo…
A propósito: se você quer fazer um negócio e ganhar dinheiro, idéia grátis: que tal um lugar com diversos cenários de vários gêneros onde as pessoas pudessem tirar fotos e/ou fazer gravações de vídeo amador?… Fikdik.

5 Respostas para “Afinal, o que rola nos estúdios?…

  1. essas coisas são muito interessantes…

    cadê os estúdios da Cover? ou seriam da TBS? que o Estúdio C é a Cozinha e o E é o elevador?

  2. Opa! Essa é do antigo site da Cover, hein?… Boa lembrança, em breve vou botar no tvsaltcover.wordpress.com !

  3. blz, velho?

    Quanto à sua dica, é exatamente o que eu vou fazer no meu trabalho final de graduação em arquitetura…rs
    Coincidências…

  4. Bacana cara, coisas relacionadas a tv me interessam muito, wlw

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